Magistrada concede entrevista à Rede Globo sobre trabalho do TJDFT à população idosa

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Magistrada concede entrevista à Rede Globo sobre trabalho do TJDFT à população idosa

A Juíza Monize da Silva Freitas Marques participou na edição do último sábado (11/04) do telejornal DF1. Em pauta, esteve o suporte do Tribunal acerca da população idosa no contexto de aumento desta população, concentrado no Núcleo Permanente da Pessoa Idosa.

Pesquisa divulgada pela emissora relata que em 2031 a população idosa do Distrito Federal superará a população infantil pela primeira vez na história da nova capital. Tal índice estima que 40% dos brasilienses serão idosos no ano de 2070. Este crescimento, infelizmente, vem acompanhado de mais violência: “No ano passado tivemos 37 mil acionamentos, ao passo que em 2019 tivemos cinco mil acionamentos. Isso demonstra que há uma procura cada vez maior, fruto de uma violência cada vez maior. Precisamos construir uma sociedade que seja boa para todas as idades. Enxergar o envelhecimento como uma fase da vida é o primeiro passo para que a gente possa cuidar dessa fase. Isso é um recado para todos: parte de nós vai chegar lá”, apela a Magistrada.

O Núcleo observa que a procura esbarra no problema do acionamento aos serviços de acolhimento. “Infelizmente os nossos dados indicam que grande parte dos atendimentos diz respeito à violência e aproximadamente 65% praticados por pessoas próximas, normalmente os filhos e filhas. Esse contexto de violência é muito específico, porque via de regra os pais que estão envolvidos e são submetidos a esse tipo de agressão têm muita dificuldade em buscar a ajuda do Estado”, aponta.

“São violências praticadas no contexto familiar e, por causa disso, as denúncias chegam por pessoas de fora: cuidadores ou profissionais da saúde que têm uma obrigação de notificação inclusive dentro da legislação, mas também de filhos que acabam percebendo alguma violação de direitos em relação a seus pais fragilizados, adoentados ou acuados em relação à prática de denúncias e violências psicológicas”, amplia a Juíza.

A problemática se abre desde um problema familiar a um problema social. “A violência psicológica é muito normalizada pela sociedade, principalmente quando se considera que o idoso já está decrépito, já não tem mais condição de contribuir com a sociedade, então, em uma sociedade que não valoriza o envelhecimento, por causa disso, as famílias acabam aceitando esse tipo de violação”, explica.

Esta situação amplia as dificuldades para os serviços públicos. “O que nós percebemos é que a sociedade ainda não se preparou para essa mudança demográfica. No contexto de políticas públicas, é ainda mais alarmante, porque nós temos pouquíssimas vagas em instituições de longa permanência no Distrito Federal. Estamos com uma fila de espera de aproximadamente 200 idosos, temos um déficit no número de geriatras disponíveis nos serviços de saúde e isso acaba avolumando os processos que chegam até nós”, relata.

Foto: Reprodução/TV Globo Brasília